May, 2007

descoordenado

Absurdas perdições denunciadas por quem já nada deve à delicadeza do controlo tornaram a banalidade destes diferentes dias em riachos trilhados por fantasmas imaginários de peixes azuis. Os grotescos e descoordenados modos numa tentativa fútil e incompreendida de fazer parte do comum perdem em si o sentido, levando a que todos os olhares absortos se foquem na tua própria parvoíce emocional. Encontros e desencontros, esquecimentos e enganos, preconceitos perdidos e inimizades sorridentes, arrelios infantis e amizades que não existem – são todos eles parte de um borrão numa daquelas folhas em papel mate que nasceu destinada a um canto empoeirado dos arrumos de ti mesmo. Tu gostas de mim mas eu não gosto de ti. Ele não gosta de mim e eu também não gosto dele. Todos querem gostar de ti, mas tu não queres gostar de ninguém. E depois vêm os olhares ternos e compadecidos daqueles que disto nada sabem, que te revoltam ou pura e simplesmente te deixam com uma disposição acima da média. Eu não gosto de mim e tu também não gostas de ti, vamos casar e ter filhos? Ou devemos antes ignorarmo-nos até que a morte nos separe? Ela não gosta de mim e eu também não gosto dela. Queres possui-la na parecença infinita com aquilo que não gostas em ti?
Voltam as danças dos sentidos ébrios na razão e no saber, grossos de vista e de movimentos, levados por pés que não estivessem aparafusados pelo metal dos calcanhares e iriam, sem qualquer dúvida, correr para bem longe das tuas tíbias mutiladas. E pela manha, hora de morte de todos os sonhos esboçados na terra, reaparece o deixar andar das coisas que apoquentam os de alicerces menos seguros, pois de nada valem aqueles abanões tempestivos se o prédio não vier abaixo de vez.

Ele há coisas sem sentido, não houve?

Pedro, May 15th, 2007