December, 2006

inconsciente auto-destruição

Nascemos para destruir. Pensem bem, sem nós neste planeta, a vida era perfeita. Não existiriam birras, chatices, complicações, guerras e mortes a lamentar, apenas bichos simpáticos a alimentarem-se de outros bichos simpáticos, plantas para alimentar outros bichos simpáticos e água e sol para alimentar as plantas que alimentam alguns dos bichos simpáticos. Todos viveriam felizes, uma vez que nenhuma criatura teria noção de que estava viva. Seria simples e seria bom. Mais nada.
No entanto, tinha de aparecer o Homem, com o seu mau feitio, com a sua inacreditável vontade de querer ser melhor e mais perfeito do que era há cinco minutos atrás e com isso, veio a roda, a escravatura, o amor, a inquisição, o telemóvel, as armas e a guerra. Não podíamos ser simplesmente como os outros animais, que muito se divertem sem o saber. Não, tínhamos de complicar tudo e inventar conceitos, ter ideias, inventar problemas, fazer juízos. Com isso, destruímos tudo o que havia de bom e o pior de tudo é que ninguém sabe ao certo para quê. Mais, como se já não nos bastasse destruir tudo o que nos rodeia, temos obviamente de consumir tudo o que nos faz seres excepcionais, como se tivéssemos uma enorme determinação na auto-destruição. Aqui estás tu, a duas semanas de acabar os trabalhos que se foram arrastando nos últimos meses, sem ter a mínima ideia de para que os estás a fazer. Não gostas do rumo que a tua vida tem vindo a levar nos últimos anos. No entanto, por muito obtuso que tenhas sido, ainda vais a tempo de começar de novo. Podes ser melhor que os outros nisso, agora que chegaste à conclusão que tudo o que tinhas adquirido está errado, podes criar tu as tuas regras. Afinal, qual é a vantagem de vivermos a contra gosto? Devias mudar. Vais mudar.

Vais?

Pedro, December 2nd, 2006